«Não é sinal de saúde estar bem adaptado a esta sociedade doente»
Jiddu Krishnamurti

sábado, 24 de outubro de 2009

Já venho

É costume dizer-se :
"Depois da tempestade, vem a bonança."
Acontece que nem sempre é assim, após a felicidade, pela segunda vez, o Universo me ter ofertado com mais uma netinha, essa alegria manter-se-á pela vida fora, apesar de, após alguns dias passados uma triste sombra ter descido, sobre a mulher de quem nasceu o homem com quem partilho um caminho de vida há muitos anos.
A minha sogra, não é simplesmente minha sogra, é a mãe do meu marido, tem sido companheira ao longo de anos, tem sido minha amiga, tem sido minha mãe.
Sofreu um brutal acidente de viação, do qual ficou muito mal tratada.
O corpo clínico que a segue, dá-nos algumas leves esperanças de reabilitação.
Aguardo com Fé que a mesma se realize.
Nesta fase da minha vida, caminho entre casa e hospital, pelo que raramente aqui virei.

Aos que me lêem, aos que me comentam, as minhas desculpas por não responder individualmente, e por vezes não responder aos seus mail's, mas a minha prioridade é ajudar a cuidar duma pessoa a quem amo muito.

Um dia destes espero voltar, e regressar com alegria.

Um bem haja para todos e para a L. esta flôr

(Foto tirada pela bisneta)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O que dizer e o que calar...

"Quiet Harmony"

Uma contenda na vida, é fundamental. Sempre desconfiei muito da felicidade real das pessoas, que dizem que os “abalos” não são a sua especialidade.
Mas uma boa briga é extremamente sadia, faz parte da dinâmica de uma boa relação, quando a mesma é sã.
Quando não, não há hipótese, basta um simples devaneio de ideias e os ânimos logo se alteram, e lá se vai dizendo, tudo o que se pensa, cegos de raivas, avança-se, agride-se, insulta-se. E muito dificilmente nos damos por vencidos.
No final, que felizmente acaba por chegar, estamos desfeitos, esvaziados, não tanto pela fúria para com o outro, mas pelo nosso próprio élan destrutivo.
Ficamos em seguida como resíduos difíceis de ser diluídos, dissemos frases violentas, fazemos julgamentos grosseiros dos quais em seguida nem sequer sentimos o menor orgulho.
Se por um lado “esvaziar o saco” nos dá uma sensação de alívio, por outro transmite-nos uma sensação de culpa.
E é justo que a culpa exista, se num momento de descontrolo, se disse coisas, que não se diria até aqueles, que nos são menos simpáticos.
Com o tempo talvez consigamos descobrir que a mesma fórmula de argumento não pode, nem deve ser de igual forma para todos, porque cada um de nós é uno.
Esta será uma sabedoria, aprender, quando as coisas piores, que dizemos a outros , fazem mal, sobretudo a nós mesmos.


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A vida envolve-nos.
O tempo e as gentes encarregam-se
de nos corromper as esperanças.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Estações

Photobucket


As folhas secas vão caindo, mas ao longe as verdes vão chegando, devagarinho, devagarinho ...

domingo, 11 de outubro de 2009

Músicas que gosto



I used to think that I could not go on
And life was nothing but an awful song
But now I know the meaning of true love

I'm leaning on the everlasting arms
If I can see it, then I can do it
If I just believe it, there's nothing to it
If I can see it, then I can be it
If I just believe it, there's nothing to it

I believe I can fly
I believe I can touch the sky
I think about it every night and day
Spread my wings and fly away
I believe I can sore
I see me running through that open door
I believe I can fly
I believe I can fly
I believe I can fly

See I was on the verge of breaking down
Sometimes silence can seem so loud
There are miracles in life I must achieve
But first I know it starts inside of me

Cause I believe in me
If I just spread my wings
I can fly
I can fly, I can fly
If I just spread my wings
I can fly, woo
Check it out
Hmm.. fly fly fly

domingo, 4 de outubro de 2009

A 30 de Setembro de 2009


A vida ofereceu-me uma outra neta.

O seu pézito é do tamanho do meu dedo.

Não foi por acaso, que o indicador está em direcção ao Alto, pois entrego-lhe mais esta flôr do meu jardim, para que com a Sua ajuda, e o nosso amor possamos indicar-lhe o Caminho da Felicidade.

Que sejas feliz minha flôr!


quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Músicas que gosto




Esta é uma das músicas da minha vida.
Lembrei-me dela hoje.
Porque, simplesmente hoje, foi hoje!!!!!!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Os Anos são Degraus



Os Anos são Degraus

Os anos são degraus,
a Vida a escada.
Longa ou curta,
só Deus pode medi-la.
E a Porta,
a grande Porta desejada,
só Deus pode fechá-la, pode abri-la.
São vários os degraus;
alguns sombrios, outros ao sol,
na plena luz dos astros,
com asas de anjos, harpas celestiais.
Alguns, quilhas e mastros nas mãos dos vendavais.
Mas tudo são degraus;
tudo é fugir à humana condição.
Degrau após degrau,
tudo é lenta ascensão.
Senhor,
como é possível a descrença,
imaginar, sequer,
que ao fim da Estrada,
se encontre após esta ansiedade imensa
uma porta fechada e mais nada?
Fernanda de Castro

sábado, 29 de agosto de 2009

Que mais posso dizer?

Pintura de Gustav Moreau


Amigo
Mal nos conhecemos


Inaugurámos a palavra «amigo».



«Amigo» é um sorriso

De boca em boca,

Um olhar bem limpo,

Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,

Um coração pronto a pulsar Na nossa mão!

«Amigo»

(recordam-se, vocês aí, Escrupulosos detritos?)

«Amigo» é o contrário de inimigo!

«Amigo» é o erro corrigido,

Não o erro perseguido, explorado,

É a verdade partilhada, praticada.

«Amigo» é a solidão derrotada!

«Amigo» é uma grande tarefa,

Um trabalho sem fim,

Um espaço útil, um tempo fértil,

«Amigo» vai ser,
é já uma grande festa!





Alexandre O'Neill

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

reposição de post

A., moldado em infância de rebeldia era “Zorro”, não na verdade da palavra, pois o pai, homem de honra, e funcionário público não se poderia dar ao luxo de ter um produto por si germinado, e correr o risco de ficar sem emprego pelo que a opção, seria carimbar-lhe a sua assinatura.
E assim se registou, com o nome do pai e apelido de família, não sem antes empacotar no intervalo o sobrenome da mãe.
O apego do lar, era obra difícil de cumprir, pelo que breve, a mãe de A., à data teria este, ainda poucos meses de vida, voltaria à sua terra natal, com o pequeno fruto de um amor que muito depressa deu lugar à raiva.A luta, pelo sustento era obra quase incomportável.
As terras, poucas, mal davam para as sopas, a aldeia, era demasiado pequena para fazer ouvidos moucos ao falatório, e especialmente porque os “sonhos” eram coisa que não cabia naquele domínio.Voou para uma cidade grande, com o pequeno atrás, e depressa se impressionou por um italiano, de porte, a quem não fazia diferença o facto de em tempos a sua deusa, se ter enovelado noutros lençóis de linho.
Mas para A., esta segunda oportunidade que a mãe se encontrava a viver, seria a árvore, cheia de galhos velhos e a esgaçar, que ele teria que subir durante a infância e adolescência.…Já homem, espigado encontra na capital, aquela que lhe viria a tornar os dias e noites mais estimulantes.

L., é gema de uma família que não se zangava com Deus. A sua origem social, não permitia conhecer maravilhas, as terras não eram muitas, mas lá se colhia e criava o suficiente para sustentar oito filhos, e no inicio do século apesar da ingratidão dos tempos, todos eles foram à escola.Na facilidade do riso e na ternura do amor, os sacrifícios valeram a pena, pois incluída no lote dos oito, L., viveu uma infância feliz e uma adolescência encostada às irmãs mais velhas, que já tinham deixado a aldeia, deixando os pais vestidos de silêncio e de saudades da prole.Gozava do pretígio de ser uma menina bem comportada. Aprendera a ler, a cozinhar, a bordar.Começara a botar corpo, e os ouvidos já desabituados do carinho dos pais, pois já há muito que deixara de os ter por perto , os sussurros de A.,faziam ninho de tentação...



E,Quando um casal mal ganha para a renda do quarto, os transportes lhe levam mais do que a calçada lhe gasta nos tacões, o caldo é de batatas e couve, um filho é erva daninha em terreno que se queria de pousio.Descendência era privilégio de rico.Não se acautelaram.

L.,

transformou-se em terra adubada.

Habitavam em quarto exíguo, sem jamais esperar mudança, mas o fedelho vingaria, apesar de malgrado o esforço de cada dia.
LISBOA deixara de ser considerada um conto de fadas, o casamento tão pouco, o trabalho começava ainda o sol, não tinha nascido, a “féria” era parca, e a vida por si, só tinha razão, porque em dia de delírio, remeteu um catraio ao mundo, que lhe acena em parto ainda feito de dor.

Em hora que a cidade já pulsava, a criança ao abrir os olhos, depara-se com o planeta em desordem. Apesar de ser quarta feira e os videntes crerem que o dia é propício para, grandes negócios, favorece a escrita e inspira confiança, nesse dia Agostinho Neto, regressa a Luanda e assume a presidência do movimento, o Partido Comunista defende uma solução pacífica para o problema político português, começa o período de emissões experimentais da RTP, e pela primeira vez na história, os Jogos Olímpicos foram realizados fora da Europa ou dos Estados Unidos, chegando à Austrália.


Grandes mudanças, mas a fonte que aconchega o bebé, revela-se uma imagem apagada, encolhida, vazia de queixumes como quem cheirou a habilidade de revelar poucas falas, olhos baixos, e sorriso acanhado, mas de dentro emanava um calor, que iria fazer espigar o inocente, por forma a atestar, que o destino ruim de ter nascido serva, não lhe cederia por herança.
E aqui começa o "INICIO DE MIM" !

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

AMIZADE II

Estou óptima!
Olho-me no espelho, e até consigo sorrir para o que vejo.
As pequenas rugas que se formam junto dos olhos, são começo de velhice, não são o que normalmente chamamos de traços expressão. Volto a olhar e o que se reflecte:
- Não é aparentemente um facto importante.
E digo:
- Espelho meu, espelho meu, quem sou eu?

Durante muito tempo das nossas vidas, não nos conhecemos, e até acredito que alguns não se conheçam nunca.
A procura de nós mesmos é uma das vigas mestras da nossa existência, a mola que impulsiona a grande parte dos nossos actos e relações.


Reconhecer que tivemos relações de considerável amizade, e hoje não ser-mos capazes de fazer um relato minucioso e completo dessas vivências entristece-me.
É verdade, que durante as nossas vidas conhecemos e damo-nos a outros e que juntos costuramos retalhos de conhecimento, tivemos interesses comuns, precisámos uns dos outros, de uma forma ou de outra, e facilmente aplicávamos a Lei da Entreajuda.


O facto é que naquela altura, as alegrias, as emoções, as descobertas, as confidências que vivemos estavam tão enraizadas, que não me permitiam perceber onde começavam ou terminavam as influências, nem consigo apontar agora, os desmazelados momentos que considerei de verdadeira amizade.

Hoje a distância domina-nos, e não se trata de um distanciamento geográfico, mas de um desdobramento de identidades, que não conjugam, ou simplesmente caminhos abstractos,que nem todos entendem.
Fragmentadas as partes com quem julguei amigo, tento elaborar a dinâmica de um todo que me ajudará a um todo melhor.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

HOJE ESTOU ASSIM...

METAMORFOSE

Repara: — a imóvel crisálida
Já se agitou inquieta,
Cedo, rasgando a mortalha,
Ressurgirá borboleta.

Que misteriosa influência
A metamorfose opera!
Um raio de Sol, um sopro
Ao passar, a vida gera.

Assim minh'alma, inda ontem
Crisálida entorpecida,
Já hoje treme, e amanhã
Voará cheia de vida.
Júlio Dinis

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Uma nova etapa


Foste uma amiga não diária, daquelas com quem não estamos sempre a conversar, mas quando te encontrava transmitias Paz, apesar de nem sempre estares feliz, tinhas a capacidade para ajudar! Ajudar, sabes... aquilo que muitos de nós desconhecemos.
Mas tu conhecias, e bem! Por isso, e por tudo em que nos acompanhaste, o Universo escolheu um lugar maravilhoso onde uma Luz, irá estar sempre acesa, para continuares a participar nas nossas vidas, como exemplo que és. Não foi por acaso que escolheste, ser Glória de nome.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Pela 2ª vez há 26 anos



"O amor de mãe por um filho é diferente de qualquer outra coisa no mundo.
Ele não obedece lei ou piedade,
ele ousa todas as coisas e extermina sem remorso
tudo o que ficar em seu caminho."
Agatha Christie

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A caminho do caminho

Somos socialmente educados para dar “boa impressão” e a nossa primeira reacção é olhar para o lado e procurar nos outros o efeito dos nossos actos.
No processo de atendimento e entendimento dos desejos, aprendi que deveria manter-me ligada a mim mesma , respeitando aquilo que os outros pensam em vez de me preocupar com o que os demais vão pensar.


Diz-se normalmente que “aprendemos com o sofrimento”, desconfio que é errado.
Eu acho que a sofrer pouco se aprende, nem mesmo a sofrer menos. Admito todavia que pode ser um agente riquíssimo se conseguirmos aprender que do sofrimento podemos tirar lições, ou seja se durante o processo olharmos de frente e procurar ver porque foi causado, como actua em nós, como o recebemos, como aceitamos o mundo quando a sua carga nos esmaga, e finalmente como saímos dele.

Ser feliz, creio, é a proximidade de um conhecimento maior de nós e dos outros, é a possibilidade de uma outra integração no universo.
Será que ser feliz e ter paz interior deveriam ser irmãs?
Não tenho a certeza. E por paz não entendo o acomodar-me, mas sim uma espécie de serenidade que se consegue alcançar, não dominando os próprios conflitos, mas saber conviver com eles, (ou tentar aprender a conviver).
Assim felicidade é de alguma forma sabedoria. Mas há graus de felicidade, bem como há graus de sabedoria, assim arriscaria que uma pequena felicidade pode corresponder a uma pequena sabedoria, ou conhecimento como se queira.
Porque o ser feliz é estar-se voltado para a compreensão do universo, é ser generoso, ter alma aberta, não só para si como para os outros.
E continuando a puxar o fio das explicações, acabo por chegar irrefutavelmente a Deus.
Eu que até achava que era uma católica razoável, cheguei um pouco mais longe.
Afinal ser feliz é ser aceite por Deus e ELE é a felicidade por execelência.


quinta-feira, 16 de julho de 2009

QUESTÕES

CHATAUNEUF, guardião de armas de Luis XIII, ao ver um menino de apenas nove anos respondendo a todas as perguntas feitas pelo bispo, com requintes detalhados, arriscou uma pergunta de difícil resposta:
“Eu lhe darei uma laranja se me disser onde está Deus.”
“Meu senhor,” respondeu o menino,“Eu dar-lhe-ei duas laranjas se me disser onde Deus não está! “

segunda-feira, 13 de julho de 2009

CRIANÇA



"Se há na terra um reino que nos seja familiar e ao mesmo tempo estranho, fechado nos seus limites e simultaneamente sem fronteiras, esse reino é o da infância."


Eugénio de Andrade, in 'Rosto Precário'





sábado, 11 de julho de 2009

Como aplicar a lei do menor esforço

"Terei de praticar a Aceitação. Hoje aceito pessoas, situações, circunstâncias e acontecimentos, tal como eles ocorrerem. Reconhecerei que este momento é aquilo que deveria ser, porque todo o Universo é, como deveria ser. Não lutarei contra todo o Universo, lutando cotra o momento presente. A minha aceitação é total e completa. Aceito as coisas como elas são no momento, não como eu gostaria que fossem."
Deepak Chopra in "As Sete Leis Espirituais do Sucesso"

quinta-feira, 9 de julho de 2009

MUDANÇAS

Este post é dedicado à Mariz e à Salomé, duas pessoas que não conheço pessoalmente, mas cuja força e ensinamento me tem ajudado no entender do desconhecido.
Obrigada Amigas.
Independencia é uma forma de nos colocarmos em relação à vida, que abrange a totalidade ou quase das nossas acções.
Independência é a condição de não depender , de não ser tutelada de ser dona das próprias decisões, de ser autónoma.
E aí teremos que enfrentar a ideia argentária. Não é um conceito edificante, mas sem independência económica, não existe independência.
A partir do facto elementar que é preciso comer, e não há comida gratuita, porque mesmo que plantemos, precisamos de solo, e de uma semente para geminar.
Com um salário na mão definimos os nossos padrões, o que podemos fazer, onde podemos morar e até onde podemos ir.


Mas será que independência é tão simples assim?

Todo o conhecimento é necessário para chegarmos e manter a independência.
Não se trata apenas de afirmá-la, mas também de demonstrá-la.
Não basta o conhecimento de uma profissão, embora seja indispensável para o tal caminho do sustento, mas para cuidar de nós é preciso muito mais, e não me refiro aos cursos, às roupinhas ou às nossas necessidades supérfluas.
É preciso sabermos em que mundo vivemos, quem nos rodeia, quais as nossas grandes questões.
São estes conhecimentos que dão à vida uma arquitectura mais sólida.
Sustentar uma vida é nada mais que arrumar as nossas dúvidas, perante as respostas que se nos oferecem.
E na hora do arrumo, quando estamos com a bateria quase descarregada, vamos conferir a contabilidade e damos de caras com um benefit, que nos mostra que há sempre um amanhã promissor à nossa frente. Um amanhã movimentado. Vital, com trabalho, fraquezas a vencer e forças novas a despertar.

Privilégio é a forma como nos sentimos compensados, reconhecer que não damos só importância à conta da luz, ou por não termos com quem sair numa noite de sexta feira.

Independência é não ter medo de crescer, independentemente da nossa idade.

Ou seja independência é coisa muito profunda, que não basta entregar a uma empresa
de mudanças.

domingo, 5 de julho de 2009

"Não posso fechar os olhos quando a luz é intensa demais e queima as letras que pensava eram meu nome.
Não posso fechar os olhos a mim própria quando começo a verificar que sou muito diferente daquilo que deveria ser, ou que era suposto ser,daquilo para que fui criada e daquilo que a sociedade a que pertenço espera de mim.
Procuro ser fiel a determinada imagem que de mim criei - ou que me foi entregue já criada - e pode acontecer que deixe de ser fiel àquilo que é o meu nome original."

quarta-feira, 1 de julho de 2009

PINA BAUSCH

1940 - 2009





Projectava como ninguém a comunicação entre os géneros, traduzidos na diversidade dos trabalhos que nos ofereceu.
A sua marca dotou as Artes, como poucos!

domingo, 28 de junho de 2009

Etapas


Sabendo reconhecer as etapas da vida, a intensidade dos bons e maus momentos, conseguimos distinguir entre um simples aborrecimento e uma dor bem forte.
Abafar uma simples contrariedade, podemos faze-lo na alegria e uma festa, numa ida ao cinema, no assistir a um concerto de Verão, não é a mesma coisa que tentar superar uma dor séria. Uma chatice é uma pedra no caminho, uma grande dor é uma montanha de difícil escalada, é fundamental não confundir pedras com montanhas.
Pedras, podemos saltá-las sem esforço, montanhas dividem o espaço, interrompem, estabelecem um antes e um depois, e é aí o ponto, em que visivelmente alguma coisa em nós se modifica .
E o que exigem de nós essas montanhas? Basicamente, atenção. Funcionam como um sinal de alerta. Ordenam um olhar mais atento, há perigo perto, convém prevenir-nos antes do próximo movimento.
Acalmado o primeiro impulso ansioso, que nos impede para a fuga veremos que enfrentar montanhas, não é tão mau como se temia, desde que analisemos em detalhe a causa do que estamos a viver e entender porque é que chegámos até ali.
É no decorrer deste trabalho que deglutimos e incorporamos os factos na nossa própria vida, preparando-nos ao mesmo tempo para traçar novos rumos, e não nos deixarmos perder na intensa vegetação da montanha.
Dos maus momentos da vida, daqueles que parecem eternos, saímos mais fortes e talvez um pouco mais maduros.
Ganhamos mais, e abrimo-nos para os outros de uma outra forma.
Conquistamos também uma pequenina parte da humildade tão necessária para aceitar que ainda atravessaremos outras fases de sofrimento. E entenderemos que em cada uma delas ganharemos um novo fôlego para o momento seguinte.




quarta-feira, 24 de junho de 2009

ESPERANÇA

Espero que o dia de amanhã, não seja tão massacrante como o de hoje!
Foi demais...
Mas alguma coisa me diz, que o SOL vai brilhar novamente...

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Luz




















Neste meu recente périplo pelos blogs, tenho percebido, que os mesmos se dividem em variadíssimas classes, existindo um perfil que predomina e me tem obrigado a alguma reflexão. Trata-se da procura insistente do “eu superior” ou da “luz” como lhe quisermos chamar.
Ao que me parece nem toda a mudança ou tentativa da mesma se traduz num romper com o compromisso de vida que nos foi atribuído ao nascer.
Todas as possibilidades existem, nem sempre de acordo com o padrão ensinado. Embarcar na reflexão, pode ser o reconhecimento da provação em falta, da respiração suspensa, da vilanagem inconsciente, da vida de ausência ou até do silêncio perdido. Daí a necessidade de investigar.
Estou longe dessa procura, provavelmente deveria, e parece-me que a evolução, vou chamar-lhe assim, resulta duma impossibilidade durável de manter a vida real, até ali vivida.
Num piscar de olho, e de fácil entendimento, reconhece-se que o heroísmo no quotidiano, se torna violento para aquele que o pratica, pelo que resistir à pressão dos círculos próximos é difícil. Daí o encosto à espiritualidade.
Não me choca que as pessoas se queiram tornar melhores seres humanos, mas as ausências imaginadas, podem vir no sentido inverso e reclamar aquilo que no nosso dia a dia não se pratica, arrisco dizer, poder ser redutor.
Na generalidade dos casos, raramente a atitude é igual ao discurso.



Também tenho a minha Flor de Lótus dentro da mente, tal como ela, que emerge de águas lodosas e aparece de branco imaculado, também eu sofro metamorfoses, e não serei por isso desprezível.
Reajo simplesmente, e continuo a defender que o melhor do nosso “eu” virá à tona se aceitarmos os outros sem padrões pré definidos. Com todos aprendemos, mesmo que muitos de nós não tenhamos ainda encontrado o caminho da “Luz”.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

31 anos de caminhada

"...Quando dois seres se entregam, não sabem o que fazem, não sabem o que querem, não sabem o que procuram, não sabem mesmo o que irão encontrar..."
Paul Ricouer


A nossa estrada começou num dia de Inverno, em que a chuva foi brinde da natureza.
Rezam os ditos populares, “Casamento molhado, casamento abençoado”.
A sobrevivência enquanto casal, baseámo-la numa equação a duas incógnitas, sendo que procurando a natureza das mesmas conseguimos resolvê-la procurando conhecer a natureza entre as duas.
Cedo percebemos, que não existiam livros, para aprender a ser casal.
Cedo aprendemos que juntos estávamos submetidos à continuidade que nos conduziria ao desenvolvimento, ou se assentássemos em falsos conceitos de casal perfeito caminharíamos a seu tempo para a destruição
A continuidade é fecunda, é ela que cria o casal, porque aqui não há lugar a improviso, não é de um dia para o outro que se passa de individuo isolado a casal.
Assim definimos que a nossa união deveria ser uma associação de duas pessoas livres, baseada na comunhão de ideais.
Aqui o equilíbrio, era o resultado de uma vitória das forças de coesão sobre as da dissociação e entrar em jogo na escola do outro, pois não há relações de satisfação total.
Descobrimos que a distância entre a realidade e o ideal pode reduzir-se desde que aceite, por ambos.
Existem diversos tipos de casais, nenhum se assemelha, porque nenhum ser é absolutamente idêntico ao outro, na infinita diversidade da criação. Cada um é uma história, diferente duma terceira, e a noção de casal não pode ser, e não é, fixa e imutável, não é uma realidade prefabricada, segundo um esquema válido, para todas as épocas.
O casal como o entendemos durante a nossa vida é uma realidade móvel em função dum tempo, no decurso da nossa linha individual, assim como na colectiva.
Se a uniformidade fosse regra da espécie humana, e se todos fossemos iguais, qualquer um poderia emparelhar com qualquer outro. Seria anularmo-nos porque todos mudamos no decurso da viagem, e não seremos nunca os mesmos ao chegar ao fim, é preciso escolher a cada instante o evoluir paralelamente com o outro, pois se cada um fosse por si só um ser perfeito, bastar-se-ía a si próprio, e não teria necessidade do outro.

No decurso da nossa história evoluímos como organismo vivo, onde temos estado ao serviço do amor.
Fizemos uma boa opção, escolhemos a continuidade.

domingo, 31 de maio de 2009

Só, num mundo povoado de gente


Tão só!
Cada vez são mais longos os caminhos
que me levam à gente.
(E os pensamentos fechados em gaiolas,
as ideias em jaulas.)
Ah, não fujam de mim!
Não mordo, não arranho.
Direi: — «Pois não! Ora essa! Tem razão».
Entanto, na gaiola,
cantarão em silêncio
os sonhos, as ideias,
como pássaros mudos.

Fernanda de Castro, in "E Eu, Saudosa, Saudosa"

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Aniversário


Há cinco anos, não envelheci, tornei-me mais feliz!
Na minha pauta, nasceu mais uma nota musical,
onde têm crescendo melodias,de encantar.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Verdades e Inverdades



"A verdade jamais é pura e
raramente é simples."
(Oscar Wilde)




Qual é a tarefa da verdade?
Abrir um jornal, ligar a televisão, conversar com alguém, percebemos que a verdade não é o forte do nosso mundo.
Oferecem-nos mentiras diariamente, muitas vezes comprovados com factos que não são verdadeiros.
Isto para não exaltarmos as pequenas inverdades, nossas, dos outros, deslizes de comportamento, recursos de última hora, que se constelam todos os dias.
A nova verdade é assustadora.
Estremecemos, tememos, e muitas vezes não aguentamos o abalo. Assim, a nossa primeira tendência é “barrar a verdade”.
Mas a verdade sempre me intrigou, ela é um jogo de espelhos no qual se multiplicam as várias verdades, de um mesmo facto.
Cada circuito desses, exige de nós coragem para a revisão e elasticidade para adaptar as novas verdades.
É no fundo uma pequena maratona emocional, correndo o risco de se criar um curto-circuito na mente, de qualquer um.
Acompanhando este ciclo, veremos que cada época tem a sua verdade, ou a sua mentira.
Aquele que por teimosia ou originalidade, teima em ser sincero, em dizer só e sempre a sua verdade, acaba a tornar-se para os demais, como um chato insuportável.
São os novos tempos.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

RURALIDADES

"O rural é bom não por ser tosco.
É bom por ser autêntico e nunca perder a significação."
Miguel Torga
Foto tirada na aldeia de Varde m Trás os Montes

segunda-feira, 25 de maio de 2009

SONHOS

"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis".
(Fernando Pessoa)

domingo, 24 de maio de 2009

ACORDAR

Procuro
pela manhã
letras,
que de mansinho
me levam ao mundo...
bebida negra ,
que faz acordo
com notícias,
e lentes de ajuda
para encontrar
boas novas .

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Parabéns marido



Este simples desconhecido, é o meu herói.

Não tem a vida desenhada em livro, estátuas, ou murais, mas é meu!





Lembra-te
Lembra-te
de todos os momentos
que nos coroaram
de todas as estradas
radiosas
que abrimos
Irão achando sem fim
seu ansioso lugar
seu botão de florir
o horizonte
e que dessa procura
extenuante e precisa
não teremos sinal
senão o de saber
que irá por onde fomos
um para o outro
vividos

Mário Cesariny, in "Pena Capital"

domingo, 17 de maio de 2009

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Boas recordações

É nesta rua estreita, que não deve chegar aos três metros de largura, o mais longe que a minha memória alcança.

Estava a terminar o ano de 1959, acabadinha de completar 3 anos, fui sorteada pela “tosse convulsa”.
A dita , resolvera instalar-se,com força, logo em mim, criança, que apesar de gorducha, não era por certo muito robusta
.
Meus pais, embora atentos, mas de parcos recursos, foram confrontados pelo médico com duas hipóteses de cura, e escolha difícil!
Viajar de avião, ou passar uma larga temporada num local com ventos serranos.
Ao que sei, à data, “o avião” era solução desajustada, aos rendimentos, pelo que as circunstâncias levaram-me para casa dos meus avós no norte.
Ali, permaneci oito meses, período que determinou a cura da mazela
.

Na pequena artéria brincava com bonecos de trapo, e loiça de alumínio, comprada na feira das festas da cidade. A folgança e a asneirada eram partilhadas com amigos, também eles netos, filhos ou sobrinhos de moradores da mesma rua.
Lembro-me bem, éramos uma equipa, até nos ralhetes. Quando um de nós era castigado, era acordado pelos adultos, que todos receberíamos o mesmo prémio.

Durante este correr de tempo, as idas à aldeia dos avós, eram adorno, salpicado de liberdade a que não estava habituada .
O verde dos lameiros, o cinzento das fragas, o castanho das folhas de Outono iriam vincar a minha preferência de pantone.

Após cura completa, regressei a casa, mas pespineta como era , comecei a pedir que me deixassem ir novamente para lá nos anos seguintes.

Caminhei para lá, nas férias, durante um bom período da minha vida.


Hoje, passadas muitas épocas de férias, já não faço, do norte o meu destino.



Naquela rua, já não há avós, já não tenho amigos, e apesar de grande parte das casas ainda se manterem, já quase nada é igual, mas passear naquele pequeno espaço é condição que a alma me impõe.
À aldeia, também pouco me desloco, mas a voltinha ao Prado, a passagem pela Canteira da minha avó, hoje tratadinha pelo meu tio, o bisbilhotar do lavadouro junto a casa da T.A.,onde tantas e tantas vezes agarotei, são percursos que enquanto Deus me permitir, de quando em vez, irei visitar, adubando assim, as memórias que não posso perder.



terça-feira, 12 de maio de 2009

À minha filha R

Bendita a mulher


Bendita a mulher
que se habitua
a não achar árduo nenhum caminho;
para quem as horas do dia , são como as da noite
e que se esquece de si vivendo só para os outros!
Bendita!
Pois para ser mãe,
no verdadeiro sentido da palavra,
é preciso ter muitas virtudes
GOETHE

domingo, 10 de maio de 2009

Um amigo,um companheiro

Nome: YOUKI

Espécie: Canideo
Raça: Rafeiro
Côr: Banca
Sexo: Masculino


Viveu entre: 20/01/92 a 23/05/2008





Ainda hoje choro o tempo que nos acompanhaste.
Foste um amigo, daqueles que dão saltos, quando entramos em casa, no fim de um dia de trabalho, e nos oferecem o brilho do amor sem cobrança.
Partilhaste brincadeiras com as crianças, quando ainda tu tambem o eras.
Recordo ainda o esforço a que a velhice e a doença te obrigaram, e me impeliram a levar-te, naquele dia de Maio, a adormecer-te para sempre.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Mãe; já é tempo de seres feliz!

Trancada no quarto, ela chorou o fim do seu amor, e á guisa de consolo, eu dizia:
- Mãe, não chore, com o tempo as recordações más vão-se esfumando e as boas ,vão ser o remédio para tudo o que passou!
Quanto mais chorava, mais tinha a certeza que o amor fora importante.
E se o preço a pagar tinha sido aquele,então, bendiz o calvário que Deus lhe deu.
Cristo também sofrera!
Ela não quer esquecê-lo, quer sofrer muito, eternamente, mesmo que o encantamento tenha permanecido por pouco nos quarenta anos que viveram em comunhão. Já ultrapassou aquele que se a que se chama o “prazo oficial para o luto”
O martírio do passado, permanece para além da minha luta para que seja feliz.
Tornou-se num constante suportar da dor.
As recordações do que foi bom, rareiam nas memórias, não permitindo que uma nova luz a motive, confundindo este apego à angústia num investimento em felicidade.
A amargura, teve e irá ter sempre um grande peso no seu viver.

Hoje concluo que dor e alegria não passam. Não são elas que diminuem ou se desgastam, no fio de meses e anos, nós é que vamos mudando a nossa relação com elas, e este é um tempo que desconhecemos.
Resta-nos a esperança que o relacionamento com a vida, nos dê uma força regeneradora para ajudar todos os que por inerência do destino resistem a um
“ novo dia”.

Mãe, por favor, não suportes tormentos, que já lá vão…!

domingo, 3 de maio de 2009

PARA TI MÃE







Primeiro Amor






Ó Mãe... de minha mãe!
Explica-me o segredo
Que eu mesmo a Deus sem medo
Não ia confessar:
Aquele seu olhar Persegue-me, e receio,
Pressinto no meu seio
Ergue-se-me outro altar!
Eu em o vendo aspiro
Um ar mais puro, e tremo...
Não sei que abismo temo
Ou que inefável bem...
Oh! e como eu suspiro
Em êxtase o seu nome!...
Que enigma me consome,
Ó Mãe de minha mãe!

João de Deus, in 'Campo de Flores'

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Não lembra ao diabo, mas aos papás...

Os papás é que mandam! (?)
Ora aqui está quem pode e manda (e até avalia profs)! .......
(Isto é só uma peq. amostra do que chega diariamente às escolas).



Não falta muito pra vir escrito assim:
" DE: Encarregado de Educação
PARA: professora
MENSAGEM: o meu educando não leva livros porque não lhe apetece ter aulas.
ASSINATURA: o papá "

Este ano já foram recebidas msgs do tipo: "Nao concordo com as faltas que a minha filha tem, porque quando ela falta está comigo.
Portanto, já não falta assim tanto... E este:


Perante isto os Prof. têm direito a escrever , na caderneta, uma mensagem aos Enc. de Educ. a dizer: - não preparei e não dei as aulas que devia, porque estava muito cansado de "recuperar os alunos cansados" para estes acompanharem os outros...

terça-feira, 28 de abril de 2009

À A.R. e P.

layouts myspace


"A melhor maneira de ter bons filhos é fazê-los felizes."

( Oscar Wilde )




À J.

Recados do Orkut

"Há sempre esperança, quando há vida humana."
( Simone Weil )



AMIZADE

Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir. Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso. E com confiança no que diz.
(Dummond de Andrade)

Não creio que alguém, possa ter muitas e grandes amizades que perdurem pelos tempos do viver.
Uma grande amizade, não é fácil. É preciso querer, cultivar e ter dedicação necessária, para poder superar momentos de crise.
Nem sempre a amiga fiel da infância e juventude é nossa melhor defensora na vida.
No nosso universo diário vamos encontrando pessoas com as quais harmoniosamente podemos acomodar ideias e afectos, que com o passar dos tempos tornam-se ligações distintas, não perdendo todavia a mesma classificação: - “amizade”.
Quando adolescente, temos a amiga, que é um ouvido, não um repressor. A grande mecânica das confidências começa cedo, não contamos um segredo à nossa mãe. Mãe é Lei, a mãe assusta-se, escandaliza-se, esperneia, castiga, conta ao pai. A mãe, é nessa altura, o pior terreno para plantar confidências.
Com a amiga, fazemos o intercâmbio do “top secret”, da camisola, do livro, do baton, da sofreguidão de contar as mesmas coisas, pela décima vez , vamos bordando e tecendo sobre tudo e sobre o quase nada. A amiga ouve e entende, ela tem segredos semelhantes, como tal acompanha-nos.
Nessa fase de permuta de identidades, a vergonha desfaz-se. Não há vergonha da amiga!
Nas amizades mais longas, o entendimento é tal, que com facilidade chegamos com meias palavras, lá onde os outros não chegariam nem com muitas palavras inteiras.
Mas nós vamos crescendo, e nem sempre da mesma forma.
Adquirimos novos hábitos, temos novos interesses, vemos a vida de novas formas, e por vezes criamos outras amizades paralelas, que desgraçadamente se confundem com a “amiga dos segredos”.
Estabelece-se então um jogo de intrigas e competição, coloca-se no plano das vitórias pessoais, a conquista dos outros. É o momento das frases venenosas, do diz-que-disse, dos recados malévolos, e aí iniciamos uma nova etapa de conceito de amizade.
Começamos a sentir-nos um trapo, a ternura que dedicámos à amiga , tem que ser revista, para que não fique uma amiga a reboque da outra.
Já em idade adulta, aprendemos que a amizade, não precisa de exclusividade para ser mais forte, não temos que telefonar, sem um motivo prático, podemos viver na mesma cidade,e estarmos juntas só duas vezes por ano.
Uma grande ligação, pode por vezes decepcionar-nos acidentalmente, pode enfraquecer as expectativas da adolescência, mas não culpemos a amizade, mas sim o nosso discernimento.
Fica-nos a certeza que com o amadurecimento e com o tempo, a selecção torna-se mais fácil, e poderemos saber então, com segurança, quem virá conosco até ao fim.

domingo, 26 de abril de 2009

PARIDADE


A semana passada, na mesa ao meu lado no restaurante, encontravam-se três senhoras a almoçar e à conversa. Suponho que colegas de serviço. Sem querer, e dada a pouca distância, fui obrigada a ouvir a discussão que a seguir descrevo:
- Viram a camisa do chefe? Perguntava uma.
- O que é que tinha? Era azul não era? Questionava outra.
- Eu nem olho para ele, quanto mais para a camisa. Dizia a terceira, com desdenho e impaciência pela conversa que se avizinhava
- Nada disso, tinha a camisa toda amarrotada, mal engomada, parecia tê-la vestido directamente saída da máquina.
- Amarrotado já é ele, por isso nem reparei. Explode rapidamente a que nem olhava o chefe.
- AH! Isso, deve ser a querida mulherzinha, que já nem olha para o maridinho. Coitada também já não deve ter “pachorra”.
- Eu também concordo, se o homem, vem trabalhar assim, ou ela, não lhe liga, ou ele nem se vê ao espelho.
- Isso, não acredito! Pois se o tipo, impesta o escritório de perfume, deve passar um bom tempinho de manhã a olhar para si.
- Queres dizer, que a santa, não é boa engomadeira?
- Se calha…!
….
A cavaqueira nem era sequer interessante, mas por associação de ideias, veio-me à lembrança a nossa célebre Lei da Paridade.
Diz a mesma que : “…Entenda-se por paridade, para efeitos de aplicação da Lei, a representação mínima de 33,3% de cada um dos sexos das listas…”.
….
Nada me conduz contra qualquer espécie, e muito menos a minha, mas será que nos dias de hoje a prosa atrás relatada, abona de alguma forma nas qualidades femininas? Creio que abate pela raiz qualquer boa intenção de paridade.
Enquanto existirem mulheres, cujo pensamento se limita “ao vinco da camisa mal engomada”, não me parece que estejamos bem representadas.
Há que mudar mentalidades.
Há que combater o formato “mulher/casa”, “homem/profisional-mentor”.
Não precisamos e inverter situações, existe é a necessidade de lado a lado construirmos uma nova sociedade, onde todos possamos ocupar os mesmos espaços de vivência, pois as capacidades não se classificam pelo género.
E quando este modelo estiver instalado, a dita Lei estará fora de prazo, e a percentagem deverá ser de 50 % e não 33,3%.