O tempo não é borracha mágica. Porque um grande sentimento, não é como um traço de lápis que apenas deixa o rasto na superfície do papel.
Um grande sentimento abre o seu sulco em nós, gravando-se para sempre, na amálgama em que a vida se estrutura podendo ser a qualquer momento reencontrado.
E assim como a borracha não apaga os sulcos de uma gravura, assim também o tempo não cancela aquilo que se inscreveu mais fundo.
O tempo não apaga, mas actua. Aos poucos, nas constantes sobreposições das camadas vitais, outros sulcos se marcam, correspondendo às experiências, às descobertas, aos pequenos e grandes entendimentos. E é no conjunto de todas estas marcas que cada marca de per si será revivida.
«Não é sinal de saúde estar bem adaptado a esta sociedade doente»
Jiddu Krishnamurti
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terça-feira, 10 de maio de 2011
domingo, 1 de maio de 2011
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Não caias pelo cansaço,
não deixes que neguem o teu sonho,
tu não queres esquecer!
O tempo não conta, mas…
já se foram dezanove Janeiros
e
tu não queres esquecer!
A distância é tão curta
que sinto a tua estrela
já cansada de olhar por mim
mas,
tu não me queres esquecer!
Entorpecida, pelos atalhos
do meu viver,
vou pintando enredos,
em telas brancas
com cores fortes
E a fadiga não me aperta.
Sabes porquê?
Porque tu;
-Não cais pelo cansaço; de olhar por mim.
-Não deixas que neguem o teu sonho; de eu ser feliz.
-Tu não me queres esquecer; tu não me vais esquecer nunca.
Eu sei isso, pai!
Janeiro,1927- Agosto,1992
Desde que partiste, o dia do teu aniversário, é um dos que mais me custa viver.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Chegaremos...o caminho está aí
"É ilusória toda a reforma do colectivo, que se não apoie numa renovação individual; ameaça aruinar, todo o movimento que tornar possível a ignorância e a ilusão.
Acima de tudo coloquemos a franqueza e os corações abertos; às dúvidas que se juntam podem surgir as melhores fórmulas; chega mais lento o triunfo, mas vem mais sólido; e ninguém se arrastou, todos chegaram pelo seu pé."
Bem nos ensinou o Prof., que na vida não vale tudo, para chegarmos onde pretendemos.
domingo, 5 de setembro de 2010
Coragem, onde moras?
Coragem
obstruída,
pelas marés
da vida, que se vive ou se pendura!
Coragem...
cavalo a galope
estacando
em obstáculo
impenetrável
da vida que se vive ou se pendura!
Coragem...
um sem fim, de
vírgulas
onde o ponto final
está longe
Coragem...
a minha coragem,
é falha
da criação !
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Porque não desisto
Já quase tinha desistido, deste blog.
Não foi formatado para me dar a conhecer ao mundo. Até porque grãozinho que sou, despercebida gosto de circular por aí.
Raramente, mas muito por acaso, comento em blogs, até porque nada me reserva o direito ou obrigação de dizer se concordo ou não com o que escrevem. Todos somos livres! Daí que fomentar amizades ou o contrário na blogoesfera, não é nada que particularmente me alicie.
Gosto de amizade "olho no olho", sentir o outro. E as palavras mentem, como todos sabemos.
Difícilmente invisto nestas experiências,até porque quase sempre que conheci alguém por aqui, tornou-se desilusão, porque as palavras são, um dos mais belos veículos da mentira, e nada, mas absolutamente nada me apela à agressão, aquela que explode por vezes à nossa revelia, deixando o outro magoado e nós mesmos perplexos.
Daí que a exigência de seguidores se torne nula.
Escrevo para mim. Vou rabiscando o que me apetece, e aquilo que outros escreveram e alguma coisa me diz.
Gosto do Sol e o seu calor, eu sinto na pele.
Esta coisa virtual, é fria e demasiado calculista, apesar da elegância com que a maioria se delicia a deixar comentários por aqui e por ali e a contar seguidores.
Esse não é o fio condutor.
A linha, é ser verdade na mensagem.
Vou continuar, apesar das mágoas que este blog já me deu...
Não foi formatado para me dar a conhecer ao mundo. Até porque grãozinho que sou, despercebida gosto de circular por aí.
Raramente, mas muito por acaso, comento em blogs, até porque nada me reserva o direito ou obrigação de dizer se concordo ou não com o que escrevem. Todos somos livres! Daí que fomentar amizades ou o contrário na blogoesfera, não é nada que particularmente me alicie.
Gosto de amizade "olho no olho", sentir o outro. E as palavras mentem, como todos sabemos.
Difícilmente invisto nestas experiências,até porque quase sempre que conheci alguém por aqui, tornou-se desilusão, porque as palavras são, um dos mais belos veículos da mentira, e nada, mas absolutamente nada me apela à agressão, aquela que explode por vezes à nossa revelia, deixando o outro magoado e nós mesmos perplexos.
Daí que a exigência de seguidores se torne nula.
Escrevo para mim. Vou rabiscando o que me apetece, e aquilo que outros escreveram e alguma coisa me diz.
Gosto do Sol e o seu calor, eu sinto na pele.
Esta coisa virtual, é fria e demasiado calculista, apesar da elegância com que a maioria se delicia a deixar comentários por aqui e por ali e a contar seguidores.
Esse não é o fio condutor.
A linha, é ser verdade na mensagem.
Vou continuar, apesar das mágoas que este blog já me deu...
sexta-feira, 18 de junho de 2010
quinta-feira, 27 de maio de 2010

Uma explanada,
um café,
um cigarro,
um reencontro,
uma amizade,
uma conversa
que ficara por fazer
no tempo,
que é imenso...
- Aconteceu!
segunda-feira, 24 de maio de 2010
O MENINO GRANDE
Também eu, também eu,
joguei às escondidas, fiz baloiços,
tive bolas, berlindes, papagaios,
automóveis de corda, cavalinhos...
Depois cresci,
tornei-me do tamanho que hoje tenho.
Os brinquedos perdi-os, os meus bibes
deixaram de servir-me.
Mas nem tudo se foi:
ficou-me,
dos tempos de menino,
esta alegria ingénua
perante as coisas novas
e esta vontade de brincar.
Vida!
não me venhas roubar o meu tesoiro:
não te importes que eu ria,
que eu salte como dantes.
E se riscar os muros
ou quebrar algum vidro
ralha, ralha comigo, mas de manso...
(Eu tinha um bibe azul...
Tinha berlindes,
tinha bolas, cavalos, papagaios...
A minha Mãe ralhava assim como quem beija...
E quantas vezes eu, só pra ouvi-la
ralhar, parti os vidros da janela
e desenhei bonecos na parede...)
Vida!, ralha também,
ralha, se eu te fizer maldades, mas de manso,
como se fosse ainda a minha Mãe...
Sebastião da Gama
Eu hoje deveria escrever alguma coisa, mas não sou capaz.
Não saiem as letras, não solto palavras, não fluem frases.
Estou a tentar arranjar tudo e como nada consigo, sirvo-me do lindo poema de Sebastião da Gama.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Para ti mãe:

ilustração de Jessie Willcox Smith
Pequeno poema
Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.
Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.
As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...
Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...
Sebastião da Gama
quinta-feira, 22 de abril de 2010
A GUERRA DAS CALÇAS
sábado, 17 de abril de 2010
segunda-feira, 1 de março de 2010
Mãos

"Temos duas mãos e ultimamente olho-as muito,tomo-lhes o peso.São rijas e fortes as nossas mãos,habituadas à geada,ao joio,ao frio das manhãs. Tomam a forma das coisas para as agarrar,as nossas mãos levantam pedras ainda que mais pesadas que elas. Não são transparentes mas sabem muito, têm a sabedoria dos gestos dos nossos avós, dos nossos pais e ainda os nossos. Conhecem a terra as nossas mãos,os dedos têm sabor, as unhas a presença. As mãos conhecem as coisas mesmo quando os olhos já não vêem. As mãos vão até aos outros, mesmo quando a voz se não solta. As nossas mãos semeiam, colhem o trigo, amassam a farinha, partem o pão, levam-no à boca. Não há nada no nosso corpo que saiba tantas coisas, que conheça tanto, como as nossas mãos. Por isso tenho a certeza, de que elas sabem também como se há-de mudar a nossa terra. .... E todo o povo há-de descobrir,todo inteiro, o povo, o peso das mãos, a sabedoria das mãos para fabricar a abundância e a igualdade.
E quem duvidar, há-de experimentar o peso das nossas mãos, mãos de trabalho que sabem de guerra e de foma e querem saber de paz e liberdade. "
Texto de Helena Neves (Junho de 1974)
Mãos, no Museu Rodin, foto de Howard Carson
Foto de Pão, de Maurizio Moro
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
SER O PRIMEIRO DA CLASSE
A segurança ,a competência ,a tranquilidade, as certezas estabelecidas, tem uma sobrecarga , a que chamo: "Ser o primeiro da classe".O facto é que , muitos de nós não estamos preparados.
E isto é um resultado social.
Mas existe outro tipo de resultado, igualmente importante: o resultado individual.
Desde pequenos que fomos ensinados na mesma constante:
- Os bons, serão premiados.
- Os maus, serão castigados.
E nós queremos ser premiados, nem que para isso tenhamos feito, todas as vontades aos nossos pais, primos, avós, professores, amigos dos pais, padrinhos , vizinhos, amigos eu seu lá, um mundo de gente, que nos passa pela vida, e quase inspirados no espírito de um qualquer herói da história, vamos desde cedo fazendo cedências.
“…Naquele dia, não me apeteceu lavar as mãos antes de ir para a mesa, mas o olhar reprovador da minha avó, fez com que cumprisse o hábito de higiene, que me tinham ensinado, embora a água estivesse gelada.”
“…Na aula de desenho, a colega do lado sujou, o desenho geométrico com tinta da china. Prontamente, cheguei-lhe o meu frasco com álcool, fiquei sem ele…precisei também, e já não tinha…”
A certa altura da vida, quando abafados, cansados resolvemos mais uma complicação alheia, percebemos que há muito, abrimos o caminho do sofrimento.
De repente percebemos, que há muita coisa que não entendemos. Que até mesmo as nossas virtudes exacerbadas possam incomodar os outros, diria até que podem pesar como censura.
Então como podemos ser entendidos? Começamos a aprender, outras virtudes para continuar a ser: o primeiro da classe
Isso seria apenas o início da continuidade. Seria preciso perceber que a perfeição é impossível, que é pretensiosa e agressiva, e aqui colocamos o dedo na ferida.
-É urgente aceitar os nossos defeitos.
Reconheçamos que não somos tão perfeitos, como aquilo que temos mostrado ao mundo.
É necessário oferecer aos outros os nossos defeitos, assumindo de vez todos os riscos implícitos. Correndo até o perigo de não sermos amados, de ver uma porta, duas, dez… serem fechadas na nossa cara.
Porque quem nos ama de verdade tem que amar com todos os defeitos expostos, tanto quanto as qualidades.
Então deveremos saber escolher os poucos amores profundos, em troca de tantos amores superficiais.
E uma coisa é certa: esta é uma tarefa que não nos dará o troféu de: ser o primeiro da classe.
sábado, 16 de janeiro de 2010
Estou Cansado Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.
Álvaro de Campos, in "Poemas"
domingo, 3 de janeiro de 2010
Estados de alma
morre-se nada
quando chega a vez
é só um solavanco
na estrada por onde já não vamos
morre-se tudo
quando não é o justo momento
e não é nunca
esse momento
- Mia Couto
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Momentos
Como disse Vergílio Ferreira
Por entre os sons da música, ao ouvido
como a uma porta que ficou entreaberta
o que se me revela em ter sentido
é o que por essa música encoberta
acena em vão do outro lado dela
e eu sinto como a voz que respondesse
ao que em mim não chamou nem está nela,
porque é só o desejar que aí batesse.
sábado, 24 de outubro de 2009
Já venho
É costume dizer-se :
"Depois da tempestade, vem a bonança."
Acontece que nem sempre é assim, após a felicidade, pela segunda vez, o Universo me ter ofertado com mais uma netinha, essa alegria manter-se-á pela vida fora, apesar de, após alguns dias passados uma triste sombra ter descido, sobre a mulher de quem nasceu o homem com quem partilho um caminho de vida há muitos anos.
A minha sogra, não é simplesmente minha sogra, é a mãe do meu marido, tem sido companheira ao longo de anos, tem sido minha amiga, tem sido minha mãe.
Sofreu um brutal acidente de viação, do qual ficou muito mal tratada.
O corpo clínico que a segue, dá-nos algumas leves esperanças de reabilitação.
Aguardo com Fé que a mesma se realize.
Nesta fase da minha vida, caminho entre casa e hospital, pelo que raramente aqui virei.
Aos que me lêem, aos que me comentam, as minhas desculpas por não responder individualmente, e por vezes não responder aos seus mail's, mas a minha prioridade é ajudar a cuidar duma pessoa a quem amo muito.
Um dia destes espero voltar, e regressar com alegria.
Um bem haja para todos e para a L. esta flôr
(Foto tirada pela bisneta)
terça-feira, 13 de outubro de 2009
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