«Não é sinal de saúde estar bem adaptado a esta sociedade doente»
Jiddu Krishnamurti

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Apresento-vos o meu novo espaço.




Ainda está em construção, tem sido uma trabalheira eu o Wordpress, andamos cansados um do outro, mas como sou teimosa, ele não há-de levar bandeiras...!
Se me quiserem visitar, estejam á vontade, a porta está aberta!

QUERO AGRADECER PUBLICAMENTE À NÁ, A DISPONIBILIDADE PARA ME AJUDAR NESTA BATALHA, ELA SIM,  É UMA GUERREIRA, QUE NÃO GUARDA TRUNFOS NA MANGA.
OBRIGADA MINHA AMIGA!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

EM MUDANÇA

Eu sei... eu sei que andam ansiosos por um novo post. Mas ando cheia de preguiça e este espaço,já não me agrada nem um pouquinho.
Logo, logo venho aqui dizer-vos, onde podem de novo encontrar-me.
Até lá, deixo-vos uma flôr


E um beijo grande.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

"Les désespérés"



 Se tiennent par la main
Et marchent en silence
Dans ces villes éteintes
Que le crachin balance
Le sol que leur pas
Pas à pas fredonné
Ils marchent en silence
Les désespérés
Ils ont brûlés leurs ailes
Ils ont perdu leurs branches
Tellement naufragés
Que la mort paraît blanche
Ils reviennent d'amour
Ils se sont réveillés
Ils marchent en silence
Les désespérés
Et je sais leur chemin
Pour l'avoir cheminé
Déjà plus de cent fois
Cent fois plus qu'à moitié
Moins vieux ou plus meurtris
Ils vont terminer
Partent en silence
Les désespérés
Lente sous le pont
L'eau est douce et profonde
Voici la bonne hôtesse
Voici la fin du monde
Ils pleurent leurs prénoms
Comme de jeunes mariés
Ils fondent en silence
Les désespérés
Que se lève celui
Qui leur lance la pierre
Ils ne sait de l'amour
Que le verbe s'aimer
Sur le pont il n'est plus rien
Qu'une brume légère
Ça s'oublie en silence
Ceux qui ont espéré

"Les désespérés" - Jacques Brel from Poesie in forma di rosa on Vimeo.





segunda-feira, 6 de junho de 2011


A década de 70 acaba, e entramos na seguinte com muita… ah quanta!, esperança na democracia.

Já antes tínhamos tido oportunidade de ver tiranos comerem pó, vimos cair o Franco, Salazar, caiu Bokassa, o Xá , Idi Amim esborrachou-se, Somoza abateu-se…ditaduras foram-se finando e nós por cá, que nos julgávamos frágeis, levantámos as mãos, levantámos a voz e começámos a avançar.

Um novo fôlego se nos oferecia.

Na verdade, o trabalho, que abrira o seu leque, com alarde, era decorrente daquele que se iniciara discretamente muitos anos antes. E apesar da divergência de opiniões a integração de todos era-nos assegurada pelo desenvolvimento de relações amigáveis e cooperação entre as diversas classes emergentes no país. Assim; o combate aos preconceitos, o direito à instrução, uma maior participação nos órgãos centrais de decisão, a justa distribuição dos benefícios originados pelo grau de desenvolvimento que conseguíssemos, eram mecanismos de aplicação para um plano, que ao longo destes anos foram deixados ao critério de cada um… e embora tenhamos hoje grandes melhorias, a batalha não acabou.

Chegados a uma situação grave, onde medidas urgentes são pedidas em relatório encaminhado para todos nós, e o não cumprimento das obrigações que nos foram atribuídas, torna-se um combate difícil e sem prazo. Está em causa o garante da subsistência de muitos, o que perante o nível de abstenção atingido nestas últimas eleições, parece-me dramático, para uma população que há tantos anos esperava uma situação bem melhor para os seus filhos.

Acordemos pois, para o facto dos nossos filhos e netos, não sentirem orgulho na nossa geração, bem podemos ouvi-los gritar, escrever, reclamar nas ruas, nos congressos, nos gabinetes, essas são ainda as garantias que lhes damos... por enquanto, e se algum sorriso subsiste será mais de insegurança, do que de pazes feitas, pelo final do processo.


segunda-feira, 16 de maio de 2011

A personificação da máquina ironiza a disputa injusta entre ela e o homem.


"O ceifeiro pende mais a cabeça e vai caminhando sempre, a cortar o espaço com a foice que talha clareiras na seara!
– Esses bocados rezentos ficam!
– Lume nesses olhos! O que é verdete não se corta!
Atrás do rancho, a cachopada vai fazendo a respiga. O Agostinho Serra traz a terra de renda à Senhora Companhia e um punhado de arroz faz-lhe falta nas contas.
Nas goelas anda seca de Agosto, que os xabocos dos canteiros avivam. Os lábios sorvem as gotas de suor que escorrem sempre, como os canteiros fazem o remijo para as valas de esgoto.
O cuspo é baba de boi que deitam fora e fica a balouçar moinha que pede descanso, mas o trabalho não pode parar.
Não pode parar, porque lá em baixo, no aposento, o patrão está a fazer contas à colheita, que correu em boa maré.
Parece que dos braços as carnes caíram e só ficaram os ossos, como tomados de reumático, e os tendões retesados, como correias de debulhadoras em movimento.
Os peitos arfam, as pernas derreiam-se.
A malta trabalha em silêncio e só as foices e as espigas falam. As tosses, de quando em quando, dizem que ali vai gente – isso a distingue das máquinas, que não têm pulmões."





terça-feira, 10 de maio de 2011

Para além da televisão ... da Nintendo... das Barbies ...dos Nenucos...há todo um tempo para experiências várias.

O tempo não é borracha mágica. Porque um grande sentimento, não é como um traço de lápis que apenas deixa o rasto na superfície do papel.
Um grande sentimento abre o seu sulco em nós, gravando-se para sempre, na amálgama em que a vida se estrutura podendo ser a qualquer momento reencontrado.
E assim como a borracha não apaga os sulcos de uma gravura, assim também o tempo não cancela aquilo que se inscreveu mais fundo.
O tempo não apaga, mas actua. Aos poucos, nas constantes sobreposições das camadas vitais, outros sulcos se marcam, correspondendo às experiências, às descobertas, aos pequenos e grandes entendimentos. E é no conjunto de todas estas marcas que cada marca de per si será revivida.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Queixa das almas jovens censuradas



Dão-nos um lírio e um canivete
E uma alma para ir à escola
Mais um letreiro que promete
Raízes, hastes e corola

Dão-nos um mapa imaginário
Que tem a forma de uma cidade
Mais um relógio e um calendário
Onde não vem a nossa idade

Dão-nos a honra de manequim
Para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
Sem pecado e sem inocência

Dão-nos um barco e um chapéu
Para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
Levado à cena num teatro

Penteiam-nos os crâneos ermos
Com as cabeleiras das avós
Para jamais nos parecermos
Connosco quando estamos sós

Dão-nos um bolo que é a história
Da nossa historia sem enredo
E não nos soa na memória
Outra palavra que o medo

Temos fantasmas tão educados
Que adormecemos no seu ombro
Somos vazios despovoados
De personagens de assombro

Dão-nos a capa do evangelho
E um pacote de tabaco
Dão-nos um pente e um espelho
Pra pentearmos um macaco

Dão-nos um cravo preso à cabeça
E uma cabeça presa à cintura
Para que o corpo não pareça
A forma da alma que o procura

Dão-nos um esquife feito de ferro
Com embutidos de diamante
Para organizar já o enterro
Do nosso corpo mais adiante

Dão-nos um nome e um jornal
Um avião e um violino
Mas não nos dão o animal
Que espeta os cornos no destino

Dão-nos marujos de papelão
Com carimbo no passaporte
Por isso a nossa dimensão
Não é a vida, nem é a morte

Letra: Natália Correia
Música: José Mário Branco

terça-feira, 19 de abril de 2011

SANTA PÁSCOA

Caravaggio



Descida da Cruz, produzido entre 1600 e 1604. A tela é considerada uma das obras-primas do pintor, e foi encomendado por Girolamo Vittrice para a capela de sua família em Santa Maria de Vallicella, em Roma. Atualmente pode ser encontrada nos Museus do Vaticano


De que forma falaria hoje Jesus da nossa sociedade?


Jesus levar-nos-ia de novo para a beira do lago, ao deserto, ao rio Jordão. Entraria nas nossas casas e falaria uma palavra que nos tocaria e comoveria o coração.

A sua palavra é sempre alternativa. A voz de Jesus não é mais uma. Não é uma voz que nos confirma, que diz “está tudo bem”, mas é uma voz que não se conforma. Jesus é um inconformista e por isso leva-nos sempre para a margem.


A palavra e a experiência cristã deslocam-nos para fora do rebanho, para fora das nossas certezas e daquilo que está estabelecido. Ou então é uma palavra que nos leva para dentro, nos reaproxima, estabelece connosco de novo uma intimidade. E aí, Jesus é capaz de tocar por dentro o nosso coração.



José Tolentino Mendonça: «A palavra e a experiência cristã deslocam-nos para fora do rebanho»
Conversa entre o director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, padre José Tolentino Mendonça, e o jornalista Paulo Rocha.

terça-feira, 12 de abril de 2011

A minha mãe



Parabéns pelos teus 88 aninhos.
Mãe;
-não há poema...não há texto... não há livro, que consiga dizer mais do que isto: amo-te!

(fotografia tirada em Março de 2011) 

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Não devemos esquecer...

Recebi por mail e não resisti a partilhar:

Para quem andou pela Guerra Colonial, também para quem não pôs lá os pés, por sorte, por azar, pela idade ou condição, mas acima de tudo para quem gosta de saber mais e se interessa pela história do seu país, do nosso país, e por um conflito que marcou as gerações das décadas de quarenta e de cinquenta e de sessenta e de setenta e de oitenta e de...., aqui fica um notável documento para adicionar aos Favoritos e ir consultando à medida da sua curiosidade:



segunda-feira, 4 de abril de 2011

Serra de Montejunto e aldeia de Pragança



Uns dias de férias na aldeia, são a melhor terapia.
Ainda estou a recuperar das minhas cruzes, mas valeu a pena!




quinta-feira, 24 de março de 2011

Memory



Memory
All alone in the moonlight
I can dream of the old days
Life was beautiful then
I remember the time I knew what happiness was
Let the memory live again

sábado, 19 de março de 2011

Pequenas grandes lições

Nos anos de 1982 a 1986 chegavam aos molhos, novos clientes para as agências de publicidade, era o “boom da internacionalização”. Não tínhamos muita gente especializada, pelo que era trabalhar até mais não. Naquela altura não existiam relógios, que nos fizessem parar.

Posicionadas as nossas secretárias lado a lado, eu e a Guida com catraios pequenos, por vezes intervalávamos os “media plannings” e conversávamos sobre as nossas nobres lides domésticas.

A Guida, contratou a D. Josefa, para ajudar nas limpezas e arrumações lá em casa, mas nem sempre o manejo da senhora estava de acordo com o da dona da casa, e as queixas sucediam-se…, pelo que um dia eu já cansada, de tanta má produção, disparei:

-Eh pá, manda-a embora. Arranja outra!

Espantada a Guida, esgazeou-me os olhos, e eram grandes, olhou em frente e disse:

- Sabes ontem, o meu filho, entornou o leite no chão, com a pressa, saí e não limpei. Quando cheguei a casa, à noite, tinha uma auréola branca no chão, e pensei; se não fosse a Josefa, a esta hora tinha que limpar o chão todo, assim como ela passou o pano, já só tenho que limpar o círculo que secou à volta dos pingos.

E a Josefa por lá continuou, ainda alguns anos, até ao dia em que a Guida partiu, já lá vão, para aí uns 18 anos.

Tantas e tantas vezes me lembro deste pequeno episódio, porque as separações, e em especial as partidas são uma ameaça permanente, armas poderosas. Não podemos jogar impunemente com a separação. Ela é importante demais, para todo o nosso equilíbrio emocional, e como tal deve ser enfrentada, atenta e cautelosamente.

Seja qual for o caminho escolhido, é preciso conhecer que acima da situação que pretendemos largar, conta na hora do pulo, o sentimento de perda.



Tenho saudades de ti minha amiga!

terça-feira, 8 de março de 2011

Apeteceu-me:



Silêncio E Tanta Gente Maria Guinot

Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro o amor em teu olhar
É uma pedra
É um grito
Que nasce em qualquer lugar
Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal p'ra onde vou
E esta pedra
E este grito
São a história daquilo que eu sou

Às vezes sou o tempo que tarda em passar
E aquilo em que ninguém quer acreditar
Às vezes sou também
Um sim alegre
Ou um triste não
E troco a minha vida por um dia de ilusão

Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro as palavras por dizer
É uma pedra
Ou é um grito
De um amor por acontecer
Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal p'ra onde vou
E esta pedra
E este grito
São a história daquilo que sou

sábado, 5 de março de 2011

O fio das Missangas


“(…) O que me inveja não são esses jovens, esses fintabolistas, todos cheios de vigor. O que eu invejo, doutor, é quando o jogador cai no chão e se enrola e rebola a exibir bem alto as suas queixas. A dor dele faz parar o mundo. Um mundo cheio de dores verdadeiras pára perante a dor falsa de um futebolista. As minhas mágoas que são tantas e tão verdadeiras e nenhum árbitro manda parar a vida para me atender, reboladinho que estou por dentro, rasteirado que fui pelos outros. Se a vida fosse um relvado, quantos penalties eu já tinha marcado contra o destino? (…)”


Mia Couto